As florestas são habitats caracterizados pela presença de grandes densidades de árvores. Os bosques, isto é, áreas mais pequenas e abertas com menor coberto de árvores, arbustos e plantas herbáceas, também podem ser considerados habitats florestais. As florestas são um dos habitats com maiores áreas de distribuição em Portugal, ocupando cerca de um terço do território nacional. De facto, estas vastas áreas de ocupação fazem de Portugal um dos países mais florestados da Europa. No entanto, uma parte considerável das florestas portuguesas são originadas a partir de plantações, onde se destacam as florestas de eucalipto (plantados com vista à produção de papel) e as de pinheiro-bravo (produção da madeira). Ainda assim, as florestas naturais ocupam áreas assinaláveis em Portugal, constituindo habitats únicos de grande diversidade e de extrema importância para a biodiversidade.

Biodiversidade

As florestas portuguesas são compostas por uma grande biodiversidade de flora. De facto, os diferentes tipos de florestas em Portugal podem ser definidos de acordo com o tipo de árvore dominante. A dominância do coberto arbóreo é influenciada pelo clima, e por esta razão, podemos encontrar tipos de florestas característicos de determinadas regiões de Portugal. De forma geral, podemos encontrar florestas de climas mais húmidos e temperados das regiões do norte do país e de climas mediterrânicos mais secos típicos das zonas mais a sul. Nas zonas mais húmidas e temperadas, podem ocorrer florestas e bosques mistos de carvalho-alvarinho (Quercus robur) e carvalho-negral (Quercus pyrenaica). Nos vales dos rios, estão presentes importantes comunidades florestais de teixos (Taxus baccata), freixos (Fraxinus spp.), amieiros (Alnus glutinosa) e ulmeiros (Ulmus spp.). As florestas mediterrânicas de caducifólias (isto é, de árvores de folha caduca) são compostas por uma grande variedade de espécies, onde se destacam os carvalhais de carvalho-português (Quercus faginea) e carvalho-das-Canárias (Quercus canariensis), os castanheiros (Castanea sativa) e os salgueiros (Salix spp.), estes últimos mais ligados a zonas da margem dos rios. Nas regiões mais secas mediterrânicas, típicas do sul do país, podemos encontrar florestas características, como os olivais (florestas de oliveira; Olea europaea), os sobreirais (florestas de sobreiro; Quercus suber), e os azinhais (florestas de azinheira; Quercus ilex). Esta grande diversidade florestal fornece habitats únicos e fundamentais para a sobrevivência de muitas espécies da fauna do nosso país.

As florestas são habitats caracteristicamente fechados (por causa da grande densidade de árvores) e muito produtivos, oferecendo refúgios e alimento abundante a muitas espécies de animais. Os mamíferos têm facilidade em arranjar esconderijos nestes habitats, seja em buracos nos troncos das árvores, no meio de pedras ou em tocas, escavadas em solos mais macios. Tendo em conta que muitos mamíferos têm dieta omnívora, a disponibilidade de alimento também não é um problema. Um exemplo é o esquilo-vermelho (Sciurus vulgaris), uma espécie que se encontra totalmente adaptada à vida nas árvores, podendo ocupar diversos tipos de habitats florestais. Alguns mamíferos mais raros e importantes para a conservação, também podem ser encontrados nestes habitats, tal como o gato-silvestre (Felis silvestris) e o texugo (Meles meles). As florestas também abrigam uma variedade enorme de aves. Nestes habitats, podemos não só encontrar espécies arborícolas (isto é, adaptados à vida nas árvores) muito conhecidas, como o pica-pau-verde (Picus viridis) e o cuco (Cuculus canorus), mas também outras espécies mais raras e ameaçadas em Portugal, como o açor (Accipiter gentilis). Os répteis e anfíbios também são abundantes, e a maior parte das espécies que existem em Portugal podem ocorrer nestes habitats. As florestas são habitats preferidos por muitas espécies de invertebrados. Um exemplo relevante é o escaravelho-veado (Lucanus cervus), o maior escaravelho da Europa e uma espécie ameaçada em Portugal. Esta espécie rara e emblemática, utiliza as florestas de carvalho do norte do país como um dos seus últimos refúgios de distribuição. Os invertebrados são extremamente importantes para o bom funcionamento dos habitats florestais, pois podem funcionar como agentes de polinização das plantas (como as abelhas) e como fonte de alimento para muitas espécies de outros animais.

Serviços

As florestas são autênticas riquezas naturais com grande relevância nos serviços dos ecossistemas. Do ponto de vista ambiental, as florestas são responsáveis pela manutenção dos ciclos da água e de outros nutrientes. Têm capacidade de regular os sistemas hidrológicos através do controlo dos caudais dos rios, evitando catástrofes naturais (como as cheias e efeitos de ventos fortes). As florestas são fundamentais para a purificação do ar, devido às suas funções de sequestro de carbono e de reposição de oxigénio na atmosfera. A presença dos habitats florestais também contribui para a protecção dos solos da erosão, assim como para a formação e fixação de novos solos, reduzindo o risco de deslizamento de terras. Do ponto de vista dos serviços directamente ligados ao Homem, as florestas são essenciais para o desenvolvimento de diversas actividades e para a obtenção de imensos recursos naturais. Em relação às actividades, destacam-se a silvo-pastorícia (pastoreio em áreas adjacentes à floresta), a apicultura (criação de abelhas para produção de mel), a caça, a pesca, o turismo, as actividades desportivas (como o arborismo) ou de lazer, cultura e educação (observação da paisagem, da flora e da fauna). Em relação aos recursos que podem ser extraídos, destacam-se a madeira, a celulose (utilizada na produção de papel), a cortiça, a resina, o carvão e uma grande variedade de alimentos (tais como o mel, frutos silvestres, sementes e animais de caça e de pesca). No entanto, a exploração dos recursos naturais deve ser feita de maneira sustentável, por forma a evitar a degradação e destruição destes habitats importantíssimos para o ecossistema.

Impactos

As florestas estão actualmente ameaçadas por diversos factores que causam directamente a sua destruição e degradação. A desflorestação constitui um dos maiores factores de impacto das florestas. O corte de árvores é efectuado para a produção de madeira e papel, construção de estruturas, expansão urbanística, e criação de novas zonas para a agricultura e pastoreio. Por esta razão, todas estas actividades podem ser consideradas como factores de risco para o bem-estar florestal. Os incêndios representam outra grande ameaça para as florestas portuguesas. Os fogos, causados quer por agentes naturais, quer pelo Homem, provocam perdas significativas de áreas florestais. As florestas encontram-se igualmente ameaçadas pelas alterações climáticas, dado que são previstos períodos de maior seca que, para além de impedirem o desenvolvimento da vegetação, aumentam a probabilidade de incêndios. A substituição das florestas nativas por plantações florestais, como as plantações de eucalipto (Eucalyptus globulus) e pinheiro-bravo (Pinus pinaster), constitui outra ameaça preocupante, pois contribui não só para a desflorestação como também para o aumento de risco de incêndios. As plantações florestais estão também ligadas a outro factor de impacto relevante, a introdução de espécies invasoras.

Invasoras

A introdução de espécies exóticas está gradualmente a promover a transformação das áreas florestais nativas em Portugal. Um exemplo emblemático é o do eucalipto, uma árvore de origem australiana e introduzida no nosso país para produção florestal. Esta espécie ocupa actualmente cerca de um terço das áreas florestadas do país, um aumento territorial derivado das extensas plantações com vista à produção de papel. Apesar das plantações serem a maior causa da sua expansão, o eucalipto pode tomar o comportamento de invasor em áreas húmidas. Os impactos do eucalipto nos habitats florestais e na biodiversidade são variados. Esta espécie é responsável pela degradação e seca dos solos, pois é uma planta com grandes necessidades de água. Assim, os solos empobrecidos pelo eucalipto são incapazes de sustentar outras espécies florestais. Além do mais, o seu rápido crescimento e a sua fácil propagação, fazem com que esta espécie ocupe áreas vastas, impedindo o crescimento da vegetação nativa. Também contribuem para o aumento e propagação de fogos, colonizando com facilidade os espaços ardidos, devido à sua grande capacidade de regeneração e dispersão. Outras espécies de árvores invasoras, como as acácias (Acacia spp.), partilham muitas características com o eucalipto, sendo capazes de provocar os mesmos impactos negativos nos habitats florestais.

As espécies de animais invasores são igualmente problemáticas para a biodiversidade dos habitats florestais. As pragas e doenças das árvores causadas por parasitas introduzidos, podem dizimar a floresta autóctone. O nemátodo-dos-pinheiros (Bursaphelenchus xylophilus) é um destes exemplos, que como o nome indica, invade espécies de pinheiros. Este nemátodo, originário da América do Norte, alimenta-se da seiva dos pinheiros, impedindo o transporte de água nos tecidos vegetais e provocando a consequente seca e morte da árvore. A introdução de insectos invasores é, também, um fenómeno cada vez mais recorrente a nível global, especialmente devido ao transporte de larvas ou espécimes em produtos comerciais importados (madeira ou plantas ornamentais). A introdução de vespas exóticas é um dos casos mais recentes e famosos em Portugal. A vespa-do-castanheiro (Dryocosmus kuriphilus), uma espécie oriunda da China, ataca os ramos jovens dos castanheiros, impedindo a formação de novas folhas e frutos. Os castanheiros doentes ficam incapazes de produzir sementes, um factor que poderá contribuir para o declínio dos castanhais e, como consequência, para a redução da produção da castanha. A vespa-asiática (Vespa velutina) é actualmente uma das maiores ameaças para as populações de abelhas e vespas nativas de Portugal. Esta espécie, apesar de ter sido recentemente introduzida em 2011, está já espalhada pelo norte e centro de Portugal. Como preferem construir os seus ninhos em ramos de árvores, estas vespas aproveitam os habitats florestais para residir e para se dispersarem para novos locais. A vespa-asiática é uma predadora agressiva das nossas abelhas, e o seu impacto é já visível nas reduções das populações de abelhas e nas produções de mel. O declínio das abelhas, uma espécie vital para a polinização das plantas, poderá levar a perdas irreparáveis da biodiversidade das florestas, assim como de outros habitats.

Conservação

A conservação das florestas passa por um conjunto de acções que evitem a sua destruição e degradação graduais. Planos nacionais de controlo e erradicação de espécies invasoras, podem diminuir os impactos de uma das principais causas da redução da biodiversidade das nossas áreas florestais. O arranque de árvores e plantas, o controlo químico (aplicação de pesticidas) e biológico (uso de parasitas que ataquem espécies indesejadas), podem ser soluções úteis na eliminação das invasoras florestais, desde que aplicadas de forma planeada. Planos rigorosos de ordenamento do território podem ter efeitos benéficos a médio e longo prazo, especialmente se forem focados na redução gradual das plantações de espécies como o eucalipto, e na preservação e aumento das áreas de floresta nativa. Este ordenamento florestal, para além de contribuir para o restabelecimento natural das florestas, pode reduzir o risco de incêndios e diminuir os seus efeitos devastadores. Investimentos direccionados ao combate aos fogos também poderão reduzir os impactos causados por estes eventos nos habitats florestais. Outras medidas de conservação passam pela limitação de actividades que aumentem a desflorestação. O aumento da fiscalização e legislação poderão controlar o corte descontrolado de árvores, enquanto que a criação de áreas florestais protegidas poderá salvaguardar as florestas de maior riqueza, assim como a biodiversidade característica destes habitats.

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