Existe uma grande variedade de habitats rochosos, tais como as escarpas montanhosas, as falésias rochosas costeiras, os aglomerados de rochas ou calhaus, e as grutas. Tal como o nome indica, todos estes habitats são compostos por rochas, ou por formações rochosas mais erodidas (ou seja, formações que sofreram efeitos de erosão), como pedregulhos, pedras ou cascalho. A diversidade de habitats rochosos depende de muitos factores, podendo variar de acordo com as dimensões da rocha, com o tipo de rocha (granitos, calcários, xistos, entre outros) ou com a disposição das formações rochosas. O relevo ou o declive, um factor que pode ser definido por fenómenos de erosão, também constitui uma característica importante destes habitats. Podemos encontrar habitats rochosos quer de declives muito acentuados, tais como as escarpas montanhosas e as falésias costeiras, quer com declives quase nulos, como as áreas planas de cascalho erodido (denominadas de cascalheiras). As grutas, que consistem na formação de grandes cavidades rochosas, são também outro tipo de habitats rochosos com características únicas. Devido à sua enorme diversidade, os habitats rochosos abrigam imensas espécies da flora e fauna de Portugal.

Biodiversidade

Os habitats rochosos, apesar de serem geralmente áridos, são importantes refúgios para a biodiversidade. As espécies adaptadas a habitats rochosos, chamadas de espécies rupícolas (ou cavernícolas, no caso das grutas), podem ser encontradas em fendas, cavidades e à superfície das rochas. A pouca disponibilidade de água e os solos duros são características pouco favoráveis à vegetação, mas ainda assim, podemos encontrar algumas espécies de plantas totalmente adaptadas a estas condições. As saxifragas (Saxifraga sp.), um grupo de plantas que inclui um elevado número de espécies rupícolas, são um destes exemplos. Estas plantas podem ser vistas em fendas e até mesmo cobrindo as superfícies das rochas de áreas montanhosas, conseguindo sobreviver devido às suas capacidades de fixação e de aproveitamento da humidade como fonte de água. Outros exemplos são o narciso-das-rochas e o arroz-dos-telhados (assim chamado devido à sua presença comum em telhados de casas), ambas muito resistentes a períodos de seca e com facilidade em colonizar áreas rochosas.

Os inúmeros abrigos entre as fendas rochosas e os locais inacessíveis das escarpas e falésias são escolhidos por muitas espécies de animais, sejam como locais de refúgio, reprodução ou alimentação. As escarpas são particularmente importantes para as aves de grande porte, pois podem construir os ninhos em lugares de difícil acesso aos predadores e em zonas estáveis que permitem suportar o peso de presas grandes. Estes locais são usados por águias, como a águia-real (Aquila chrysaetos), falcões, corujas e outras espécies conhecidas e raras em Portugal, como o Grifo (Gyps fulvus) e o bufo-real (Bubo bubo). Apesar dos habitats rochosos serem menos favoráveis aos anfíbios, é ainda possível encontrar algumas espécies, especialmente em locais rochosos onde se formem pequenas lagoas. Já os répteis, contrariamente aos anfíbios, encontram-se bem adaptados aos meios rochosos mais áridos. Um excelente exemplo é o da osga-comum (Tarentola mauritanica), um réptil com adaptações perfeitas para a vida nas fendas e paredes rochosas, tais como o corpo ligeiramente achatado e os dedos com ventosas aderentes. Estes habitats também são importantes para os mamíferos, pois as cavidades rochosas oferecem-lhes locais de abrigo e de procriação. As grutas, por exemplo, são particularmente relevantes para os morcegos. Para além das grutas oferecerem espaços grandes e abrigados a grandes colónias de morcegos, estas funcionam ainda como reservatórios de calor e humidade, garantindo as condições necessárias para a hibernação de algumas espécies. As grutas também acolhem um vasto número de espécies de invertebrados, tais como escolopendras, escaravelhos, traças e aranhas. Embora seja menos conhecida, a biodiversidade das grutas é muito rica, sendo composta por espécies que apenas podem ser encontradas nestes habitats.

Serviços

Os habitats rochosos prestam serviços dos ecossistemas importantes que podem passar despercebidos. Os habitats rochosos têm capacidade de regulação do ciclo de nutrientes do solo e do ciclo da água, reunindo também diversos valores educativos e culturais. Estes habitats enriquecem o valor turístico da paisagem e permitem o desenvolvimento de actividades desportivas (como a escalada), de lazer e de turismo (visitas a grutas). As grutas podem ser autênticos museus de história natural, pois são locais onde podem ser descobertas relíquias arqueológicas e paleontológicas. Os habitats rochosos são também relevantes para a obtenção de recursos, onde são exemplo as extracções de pedra e de minérios. No entanto, a sobre-exploração destes habitats constitui um factor de risco que pode levar à sua destruição permanente.

Impactos

A exploração intensiva de recursos, por exemplo através das pedreiras e outras explorações mineiras, têm fortes impactos na erosão, fragmentação e destruição directa dos habitats rochosos. Além do mais, os habitats rochosos podem ser transformados em aterros sanitários após o período da sua exploração, acções que contribuem para o aumento da poluição derivada do depósito de resíduos. Outros factores que provocam a destruição directa destes habitats são as construções de estruturas (como as estradas) e as potenciais expansões urbanísticas. As grutas são igualmente afectadas pela sobre-exploração mineira, embora também sejam vulneráveis a outros tipos de ameaças. A exploração turística intensiva, como o excesso de visitas e de actividades espeleológicas (isto é, actividades realizadas em grutas), aceleram os fenómenos de erosão destes habitats, aumentando também os riscos de poluição e destruição causados pelos visitantes.

Invasoras

A introdução de espécies invasoras constitui outro factor de ameaça aos habitats rochosos. Por serem fortes competidoras de espaço, água e outros nutrientes, as espécies invasoras podem levar à extinção local das plantas nativas. Um destes exemplos é a vitadínia-das-floristas (Erigeron karvinskianus), uma invasora da América do Sul e introduzida em Portugal com fins ornamentais. Esta espécie tem uma grande capacidade de colonização de fendas e paredes rochosas, e dispersa-se facilmente devido às suas sementes adaptadas ao transporte pelo vento. Por causa destas características, a vitadínia-das-floristas é actualmente considerada como uma das piores invasoras das rochas, ameaçando os habitats rochosos especialmente distribuídos pelo norte de Portugal. Os cactos são outros exemplos de invasoras de habitats rochosos do nosso país. Algumas espécies, em particular as pertencentes ao grupo das opúncias (Opuntia sp.), conseguem habitar as zonas rochosas mais áridas do nosso pais. Estas plantas podem atingir tamanhos consideráveis, o que dificulta a colonização dos mesmos espaços pelas espécies nativas. As suas raízes fortes, adaptadas a perfurar solos mais duros, aumentam o grau de erosão das rochas e dos solos, uma característica que contribui para a destruição a longo prazo dos habitats invadidos.

Conservação

O estado de conservação dos habitats rochosos pode ser melhorado através de acções que reduzam as actividades de exploração. A limitação da exploração, mas também da construção de estruturas e da expansão urbanística, podem evitar a destruição directa destes habitats. O controlo das actividades turísticas, especialmente daquelas que são praticadas em grutas, poderá diminuir actuais efeitos de erosão, destruição e poluição. O controlo de introduções de espécies exóticas e possíveis acções de erradicação de invasoras, podem ter um papel fundamental na estabilização da flora nativa rupícola, assim como na redução da erosão a que os habitats rochosos estão sujeitos. O aumento do nosso conhecimento sobre estes importantes habitats, através da realização de mais estudos científicos e de acções de divulgação, poderá contribuir para uma melhor avaliação dos seus estatutos de conservação e de protecção.

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